
Capítulo 1 — Introdução à Gestão de Custos no Setor Público
1.1 Por que falar em gestão de custos no setor público?
Durante muito tempo, o setor público concentrou seus esforços na legalidade do gasto, no cumprimento do orçamento e na correta execução financeira. Embora esses aspectos continuem essenciais, eles não são suficientes para responder às demandas contemporâneas por eficiência, transparência e qualidade do gasto público.
A gestão de custos surge como instrumento fundamental para responder à pergunta central da administração pública moderna: quanto custa entregar determinado serviço público à sociedade?
Conhecer custos não significa privatizar a lógica do Estado, mas qualificá-la. Custos permitem comparar alternativas, avaliar políticas públicas e melhorar decisões orçamentárias e gerenciais.
Gestão de custos no setor público não busca lucro, mas sim valor público, eficiência e responsabilidade fiscal.
1.2 Custo, gasto, despesa e investimento
Um dos primeiros desafios no estudo de custos é separar conceitos que, no uso cotidiano, são frequentemente confundidos.
| Termo | Conceito | Exemplo no setor público |
|---|---|---|
| Gasto | Desembolso ou compromisso financeiro | Empenho de material escolar |
| Despesa | Gasto para manutenção da estrutura | Conta de energia da escola |
| Custo | Consumo de recursos para gerar serviço | Custo por aluno/ano |
| Investimento | Gasto com benefício futuro | Construção de uma UBS |
Todo custo nasce de um gasto, mas nem todo gasto se transforma em custo. O custo depende do consumo efetivo do recurso.
1.3 Gestão de custos e valor público
No setor privado, a gestão de custos busca maximizar margens e competitividade. No setor público, o foco desloca-se para o conceito de valor público.
Valor público combina três dimensões:
- Eficiência — produzir mais com menos recursos;
- Efetividade — gerar resultados reais para a sociedade;
- Equidade — garantir justiça distributiva no acesso aos serviços.
A gestão de custos fornece a base empírica para avaliar essas três dimensões, permitindo decisões fundamentadas e transparentes.
1.4 Exemplos práticos de aplicação
- Custo por aluno/ano
- Custo por turma
- Custo da merenda escolar
- Custo por atendimento
- Custo por procedimento
- Custo por equipe de saúde
- Custo por tonelada coletada
- Custo por km de varrição
- Custo por bairro
- Custo por km rodado
- Custo por aluno transportado
- Custo por linha
1.5 Laboratório prático
- Escolha um serviço público do seu município.
- Liste os principais recursos consumidos.
- Identifique quais são custos diretos e indiretos.
- Calcule o custo unitário do serviço.
1.6 Resumo do capítulo
- Gestão de custos é instrumento de decisão no setor público;
- Custo não se confunde com gasto ou despesa;
- Custos permitem avaliar eficiência, efetividade e equidade;
- Todo serviço público pode e deve ter seu custo conhecido.
1.7 Questões para fixação
- Por que a gestão de custos é relevante no setor público?
- Diferencie gasto, despesa, custo e investimento.
- Explique o conceito de valor público.
- Dê um exemplo de custo unitário em política pública.
Capítulo 2 — Custos na Educação Pública
2.1 A educação como política pública estruturante
A educação pública é uma das políticas mais relevantes do Estado brasileiro, tanto pelo volume de recursos envolvidos quanto pelo impacto social de longo prazo. Nesse contexto, conhecer os custos da educação é essencial para planejar a expansão da rede, comparar desempenho entre escolas, avaliar políticas de financiamento e prestar contas.
Não existe política educacional sustentável sem conhecimento dos seus custos.
2.2 Estrutura básica de custos
| Grupo de custo | Descrição | Exemplos |
|---|---|---|
| Pessoal | Remuneração e encargos | Professores, diretores, merendeiras |
| Material pedagógico | Insumos didáticos | Livros, cadernos, impressões |
| Alimentação escolar | Merenda | Gêneros alimentícios |
| Infraestrutura | Manutenção física | Água, energia, reparos |
| Serviços terceirizados | Apoio operacional | Limpeza, vigilância |
2.3 Custos diretos e indiretos
- Salários de professores em sala;
- Merenda consumida pelos alunos;
- Material didático entregue.
- Gestão da secretaria de educação;
- Manutenção predial;
- Transporte escolar compartilhado.
Custos indiretos precisam ser rateados de forma técnica e transparente.
2.4 Cálculo do custo por aluno
Custo por aluno = Custo total da unidade / Número de alunos atendidos
Esse indicador permite comparar escolas, identificar ineficiências, subsidiar políticas e avaliar impacto de investimentos quando associado a contexto e resultados.
2.5 Exemplo ilustrativo
Escola com custo anual de R$ 2.400.000 e 400 alunos: R$ 6.000,00 por aluno/ano.
2.6 Laboratório prático
- Escolha uma escola real ou hipotética.
- Liste custos anuais.
- Classifique em diretos e indiretos.
- Calcule custo por aluno.
- Analise compatibilidade com a estrutura oferecida.
2.7 Resumo
- Educação concentra grande volume de recursos públicos;
- Custos devem ser organizados por natureza e finalidade;
- Custo por aluno é indicador-chave;
- Gestão de custos fortalece transparência educacional.
2.8 Questões
- Por que a educação exige gestão de custos estruturada?
- Diferencie custos diretos e indiretos na educação.
- Explique a utilidade do custo por aluno.
- Como custos podem apoiar políticas educacionais?
Capítulo 3 — Custos na Saúde Pública
3.1 A saúde como política de alta complexidade
A saúde pública envolve múltiplos níveis de atenção, diversidade de serviços, uso intensivo de mão de obra e pressão social. No SUS, é necessário garantir acesso universal e uso racional dos recursos.
Quanto custa atender bem o cidadão?
3.2 Níveis de atenção e impacto nos custos
| Nível | Características | Impacto |
|---|---|---|
| Atenção básica | Prevenção e acompanhamento contínuo | Menor custo unitário, alto volume |
| Média complexidade | Exames e procedimentos especializados | Custo intermediário |
| Alta complexidade | Internações e cirurgias | Alto custo unitário |
Gestão eficiente busca fortalecer a atenção básica para reduzir custos globais e melhorar resultados.
3.3 Estrutura de custos da atenção básica
- Equipes de saúde da família
- Medicamentos básicos
- Insumos
- Manutenção das UBS
- Gestão da secretaria
- Sistemas de informação
- Transporte sanitário
3.4 Indicadores de custo
- Custo por atendimento
- Custo por equipe
- Custo por procedimento
- Custo por paciente acompanhado
UBS com custo mensal de R$ 300.000 e 6.000 atendimentos: R$ 50,00 por atendimento.
3.5 Custos hospitalares
Custos hospitalares são elevados devido à complexidade e ao uso intensivo de recursos (diárias, cirurgias, UTI, exames). Custos apoiam contratualização, regulação, eficiência e controle de desperdícios.
3.6 Laboratório
- Escolha uma UBS.
- Levante custos mensais.
- Calcule custo por atendimento.
- Compare com outra unidade.
- Proponha ações de melhoria.
3.7 Resumo
- Saúde pública tem alta complexidade de custos;
- Custos variam por nível de atenção;
- Atenção básica pode reduzir custo sistêmico;
- Indicadores apoiam decisões estratégicas.
3.8 Questões
- Por que a saúde é política de alto custo?
- Diferencie custos da atenção básica e hospitalar.
- Qual a importância do custo por atendimento?
- Como custos podem melhorar a gestão do SUS?
Capítulo 4 — Custos da Limpeza Urbana e Resíduos Sólidos
4.1 Serviço essencial
Limpeza urbana impacta saúde pública, meio ambiente e qualidade de vida. É área de contratos vultosos e riscos de ineficiência; por isso, requer gestão de custos e indicadores.
Quanto custa manter a cidade limpa — e por quê?
4.2 Etapas do serviço
| Etapa | Descrição | Exemplos |
|---|---|---|
| Coleta domiciliar | Recolhimento | Caminhões, equipes, combustível |
| Varrição | Limpeza de vias | Garis, equipamentos |
| Transporte | Deslocamento | Veículos, manutenção |
| Destinação | Tratamento/aterro | Taxas, contratos, operação |
4.3 Estrutura de custos
- Mão de obra
- Combustível
- Manutenção
- Equipamentos
- Gestão e fiscalização
- Sistemas de controle
- Administração contratual
4.4 Indicadores
- Custo por tonelada
- Custo por km varrido
- Custo por domicílio
- Custo por bairro
Custo mensal R$ 1.200.000 e 3.000 toneladas: R$ 400,00/tonelada.
4.5 Contratos e riscos
Planilhas de custos mal estruturadas podem gerar sobrepreço, superfaturamento, baixa qualidade e riscos fiscais/jurídicos. Custos devem ser auditáveis e vinculados a medições (rotas, tonelagem, frequência).
4.6 Sustentabilidade
Coleta seletiva, reciclagem e redução de resíduos em aterros podem reduzir custos no médio prazo, além de benefícios ambientais.
Investimentos sustentáveis podem reduzir custo total ao longo do tempo.
4.7 Laboratório
- Escolha um serviço de limpeza do município.
- Liste etapas e custos diretos/indiretos.
- Calcule custo por tonelada.
- Proponha melhorias.
4.8 Resumo
- Serviço essencial e contínuo;
- Custos variam por etapa;
- Indicadores apoiam controle;
- Sustentabilidade influencia custos futuros.
4.9 Questões
- Por que a limpeza exige gestão rigorosa de custos?
- Explique custo por tonelada.
- Quais riscos em contratos?
- Como sustentabilidade reduz custos?
Capítulo 5 — Custos do Transporte Público e Escolar
5.1 Política pública estratégica
Transporte garante acesso a educação, saúde e trabalho. É serviço com alto impacto financeiro e riscos contratuais, exigindo indicadores e controle.
Como oferecer transporte adequado com custo sustentável?
5.2 Estrutura de custos
| Grupo | Descrição | Exemplos |
|---|---|---|
| Mão de obra | Operação e apoio | Motoristas, monitores |
| Combustível | Energia de operação | Diesel, etanol |
| Manutenção | Conservação | Peças, oficinas |
| Depreciação | Desgaste | Ônibus, vans |
| Gestão | Administração e fiscalização | Contratos, sistemas |
5.3 Particularidades do transporte escolar
- Combustível
- Motoristas/monitores
- Manutenção
- Gestão de contrato
- Planejamento de rotas
- Fiscalização
5.4 Indicadores
- Custo por km rodado
- Custo por aluno transportado
- Custo por linha
- Custo mensal por veículo
Custo mensal R$ 180.000 e 45.000 km: R$ 4,00/km.
5.5 Contratos e riscos
Riscos: rotas superdimensionadas, quilometragem sem comprovação, frota inadequada e custos incompatíveis. Controle exige medição, rastreio e auditoria de rotas.
5.6 Segurança e qualidade
Redução de custos não pode comprometer segurança, regularidade e acessibilidade, sobretudo no transporte escolar.
5.7 Laboratório
- Escolha uma rota escolar.
- Identifique distância, frota e alunos.
- Levante custos mensais.
- Calcule custo por km e por aluno.
- Avalie eficiência da rota.
5.8 Resumo
- Transporte é essencial;
- Custos envolvem frota, pessoal e combustível;
- Indicadores apoiam planejamento;
- Segurança orienta decisões.
5.9 Questões
- Por que transporte escolar exige atenção especial?
- Explique custo por km rodado.
- Quais riscos em contratos?
- Como equilibrar custo e segurança?
Capítulo 6 — Custos na Administração Pública Geral
6.1 Áreas-meio
Áreas-meio dão suporte às políticas finalísticas. Embora não entreguem serviços diretamente ao cidadão, consomem parcela relevante do orçamento e influenciam a eficiência do Estado.
Uma administração eficiente começa pela boa gestão dos custos administrativos.
6.2 Estruturas administrativas
- Administração
- Fazenda
- Planejamento e Orçamento
- Procuradoria
- Controle Interno
- TI
6.3 Estrutura de custos
| Grupo | Descrição | Exemplos |
|---|---|---|
| Pessoal | Remuneração e encargos | Servidores administrativos |
| Infraestrutura | Operação | Prédios, energia, água |
| Serviços | Apoio especializado | TI, sistemas |
| Materiais | Consumo | Suprimentos |
6.4 Diretos e rateados
- Pessoal da secretaria
- Contratos específicos
- Operação interna
- TI compartilhada
- Controle interno
- Gestão central de pessoal
Rateios devem seguir critérios técnicos: número de servidores, volume de processos, horas de serviço, etc.
6.5 Indicadores
- Custo administrativo por servidor
- Custo por secretaria
- % sobre o orçamento
- Custo por processo analisado
Secretaria com R$ 6.000.000/ano e 300 servidores: R$ 20.000 por servidor/ano.
6.6 Eficiência
Custos devem ser analisados com volume de serviços, complexidade, digitalização e resultados. A gestão de custos permite identificar gargalos, sobreposições e oportunidades.
6.7 Laboratório
- Escolha uma secretaria administrativa.
- Levante custos anuais.
- Identifique diretos e rateados.
- Calcule custo por servidor.
- Analise eficiência.
6.8 Resumo
- Áreas-meio consomem orçamento relevante;
- Custos precisam ser monitorados;
- Rateios técnicos;
- Indicadores apoiam decisões.
6.9 Questões
- Por que custos administrativos são estratégicos?
- Diferencie diretos e rateados.
- Explique custo por servidor.
- Como custos melhoram eficiência do Estado?
Capítulo 7 — Análise Comparativa de Custos e Tomada de Decisão Pública
7.1 Comparar para aprender
Comparações bem feitas ajudam a identificar boas práticas, gargalos e oportunidades. No setor público, comparar não é “competir”, mas aprender e melhorar com transparência.
Compare o que é comparável: mesma natureza de serviço, critérios e período.
7.2 Tipos de comparação
- Entre unidades: escolas, UBS, rotas, bairros.
- Ao longo do tempo: séries históricas e sazonalidade.
- Entre modelos: execução direta × terceirização × consórcios.
7.3 Normalização e contexto
Custos unitários precisam ser normalizados por “unidade de entrega” (aluno, atendimento, tonelada, km). Além disso, contexto importa: porte, localização, vulnerabilidade social, perfil epidemiológico, distância média, etc.
Sem contexto, um ranking de custos pode induzir a conclusões erradas.
7.4 Ferramentas de decisão
Para apoiar decisões, custos devem ser combinados com qualidade e resultado. Três perguntas práticas:
- O custo unitário está alto? Por quê?
- Há desperdício/ineficiência ou há maior complexidade do serviço?
- Qual alternativa entrega o mesmo resultado com melhor custo total?
7.5 Exemplo aplicado — Educação
Comparar custo por aluno entre duas escolas exige observar: número de alunos, turmas, tempo integral, transporte, alimentação, quadro de pessoal e estrutura. Custos maiores podem refletir tempo integral (mais entrega) ou baixa escala (escola pequena).
7.6 Checklist para comparações confiáveis
- Definição clara do indicador (unidade de entrega);
- Período equivalente (mensal/ano) e correção de sazonalidade;
- Critério de rateio documentado (se houver indiretos);
- Fontes e metodologia registradas;
- Apresentação com explicação cidadã.
7.7 Laboratório
- Escolha duas unidades semelhantes (ex.: duas UBS).
- Defina 2 indicadores (custo por atendimento e por equipe).
- Normalizar e comparar 12 meses.
- Explique diferenças e proponha 2 melhorias.
7.8 Resumo
- Comparar é aprender;
- Indicadores precisam de normalização e contexto;
- Custos + qualidade geram decisão melhor;
- Metodologia documentada dá credibilidade.
7.9 Questões
- O que significa “comparar o comparável”?
- Por que contexto importa em custos unitários?
- Quais riscos de rankings sem explicação?
- Como custos apoiam decisões públicas?
Capítulo 8 — Transparência, Controle Social e Divulgação de Custos
8.1 Custos como informação pública
Custos públicos não são “assunto interno”: são informação essencial para a sociedade avaliar eficiência e prioridades. A transparência de custos fortalece confiança e reduz assimetria informacional.
8.2 Do técnico ao cidadão
Uma boa divulgação tem duas camadas: (1) técnica, com metodologia e detalhes; (2) cidadã, com linguagem simples e exemplos.
- Critérios de rateio
- Fontes de dados
- Séries históricas
- Notas metodológicas
- “Quanto custa e por quê”
- Comparações simples
- Glossário
- Perguntas frequentes
8.3 Produtos de transparência
- Painéis (dashboards) por secretaria/serviço;
- Relatórios sintéticos mensais e anuais;
- Mapas por bairro/unidade;
- Boletins de “custo por serviço”.
8.4 Controle social e órgãos de controle
Custos bem divulgados apoiam conselhos (saúde, educação), legislativo, tribunais de contas e Ministério Público. Além disso, reduzem retrabalho em auditorias, pois a metodologia fica clara.
Transparência não é só publicar dados; é permitir compreensão e reuso.
8.5 Boas práticas de visualização
- Indicadores unitários com explicação;
- Séries históricas com notas de mudança;
- Comparações com “faixas” e contexto;
- Versões acessíveis (mobile e impressão).
8.6 Laboratório
- Escolha um indicador (ex.: custo por aluno).
- Produza versão técnica e versão cidadã (1 página).
- Inclua 3 perguntas frequentes e respostas.
- Defina 2 alertas de gestão (ex.: custo acima de faixa).
8.7 Resumo
- Custos são informação pública;
- Divulgação precisa de camadas técnica e cidadã;
- Transparência qualifica controle social;
- Visualização e metodologia são essenciais.
8.8 Questões
- Por que custos devem ser divulgados ao cidadão?
- O que muda ao separar camada técnica e cidadã?
- Quais produtos de transparência são mais úteis?
- Como evitar “publicar e ninguém entender”?
Capítulo 9 — Casos Integrados de Gestão de Custos
9.1 Caso 1 — Educação
Uma rede municipal identifica aumento do custo por aluno. Ao decompor custos, percebe crescimento em transporte e terceirização de apoio. A decisão exige avaliar rotas, escala e contratos, sem reduzir entrega pedagógica.
O aumento do custo está ligado a maior entrega (tempo integral) ou a ineficiência?
9.2 Caso 2 — Saúde
Uma UBS tem custo por atendimento elevado. A análise mostra baixa produtividade por falta de agenda regulada e alto absenteísmo. A solução combina gestão de fila, confirmação de consultas e reorganização de equipe.
9.3 Caso 3 — Limpeza urbana
O custo por tonelada está acima de municípios similares. O município descobre que a medição contratual não separa coleta regular e entulho, distorcendo indicadores. Ajustar métricas melhora comparabilidade e negociação.
9.4 Caso 4 — Transporte escolar
Rotas rurais longas elevam custo por aluno. A solução pode envolver replanejamento de rotas, pontos de encontro, frota adequada e coordenação com calendário e matrículas.
9.5 Matriz de decisão
| Problema | Causa provável | Ação | Indicador |
|---|---|---|---|
| Custo alto | Baixa escala | Reorganizar oferta | Custo unitário |
| Custo alto | Contrato mal medido | Rever medição/escopo | Custo por unidade |
| Custo alto | Produtividade baixa | Gestão de processos | Atendimentos/turno |
| Custo alto | Desperdício | Auditoria e controle | Desvio padrão |
9.6 Laboratório
- Escolha um caso (educação, saúde, limpeza ou transporte).
- Liste custos diretos e indiretos e o critério de rateio.
- Calcule 2 indicadores unitários e uma série de 6 meses.
- Proponha 3 ações e estime impacto (qualitativo ou quantitativo).
9.7 Resumo
- Casos integrados mostram a importância do contexto;
- Custos ajudam a localizar causas e prioridades;
- Métricas e medição contratual são críticas;
- Decisão exige equilíbrio entre custo e valor público.
9.8 Questões
- Por que a medição contratual afeta indicadores?
- Como distinguir maior entrega de ineficiência?
- Quais indicadores você usaria em cada caso?
- Como comunicar resultados ao cidadão?
Capítulo 10 — Laboratório Final e Projeto Integrador
10.1 Objetivo
Integrar os conceitos do livro em um projeto de gestão de custos aplicável ao município, com produto técnico e produto cidadão.
10.2 Projeto final — passo a passo
- Escolha do serviço: educação, saúde, limpeza, transporte ou área-meio.
- Mapeamento: etapas do serviço e recursos consumidos.
- Estrutura de custos: diretos, indiretos e compartilhados.
- Critérios de rateio: documentar e justificar.
- Indicadores: definir 3 indicadores unitários.
- Série histórica: no mínimo 6 meses (ideal 12).
- Diagnóstico: explicar variações e comparar com referência.
- Plano de melhoria: ações, prazos e responsáveis.
- Transparência: relatório cidadão de 1 página + FAQ.
10.3 Entregáveis
- Planilha de custos (ou base organizada);
- Painel simples (tabela/gráfico);
- Relatório técnico (metodologia, resultados);
- Relatório cidadão (linguagem simples).
10.4 Critérios de avaliação
| Critério | O que será observado |
|---|---|
| Correção conceitual | Diferenças entre gasto, despesa, custo e investimento |
| Metodologia | Rateios, fontes, consistência e documentação |
| Indicadores | Unidade de entrega clara e comparabilidade |
| Aplicação | Capacidade de propor melhoria prática |
| Comunicação | Versão cidadã compreensível e transparente |
10.5 Fechamento
Gestão de custos é instrumento de decisão, transparência e melhoria contínua. Quando bem aplicada, conecta orçamento, execução e resultados, fortalecendo o valor público.
10.6 Questões finais
- Quais são os 3 maiores riscos ao divulgar custos sem metodologia?
- Como garantir comparabilidade entre unidades?
- Qual o papel do controle social na melhoria de custos?
- Quais indicadores você considera essenciais para o seu município?