A Contabilidade Pública que o Brasil Perdeu e o Estado que Precisa Nascer
Parte III • página 65
Sumário
Capítulo 23

O Último Suspiro Do Modelo Antigo

Antes de encerrarmos esta parte, é importante compreender que o modelo antigo — orçamentário, formalista, improvisado — não morreu de uma vez. Ele resistiu. Resistiu muito. Resistiu como cultura, como hábito, como...

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Parte III - A Crise e a Necessidade de Reconstrução

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Antes de encerrarmos esta parte, é importante compreender que o modelo antigo — orçamentário, formalista, improvisado — não morreu de uma vez. Ele resistiu. Resistiu muito. Resistiu como cultura, como hábito, como tradição, como modo de fazer, como forma mental de perceber o Estado. Nos anos 2000 e 2010, ainda era possível encontrar prefeituras onde: o patrimônio era registrado em cadernos; bens públicos não tinham plaquetas; escolas funcionavam em prédios sem matrícula; secretarias não sabiam quantos veículos tinham; obras públicas eram abandonadas sem registro; contadores não aplicavam regime de competência; balanços patrimoniais eram meros documentos formais; sistemas de gestão eram usados apenas parcialmente; e a cultura administrativa seguia presa às práticas dos anos 1960. Mas essa resistência era, ao mesmo tempo, um sintoma de morte. O modelo antigo estava sendo pressi onado por todos os lados: pela realidade social; pela tecnologia; pela legislação; pelos tribunais; pelas normas internacionais; e por uma nova geração de profissionais. O velho estava ruindo — e o novo precisava nascer.