A Contabilidade Pública que o Brasil Perdeu e o Estado que Precisa Nascer
Parte IV • página 68
Sumário
Capítulo 25

O Tesouro Nacional Acorda: O Papel Do Governo Federal Na Virada

A reconstrução moderna da contabilidade pública no Brasil não começou nos municípios — começou no governo federal, especialmente no Tesouro Nacional. Foi ali que surgiram os primeiros debates técnicos sobre convergência...

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Parte IV - A Reconstrução Moderna da Contabilidade Pública

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A reconstrução moderna da contabilidade pública no Brasil não começou nos municípios — começou no governo federal, especialmente no Tesouro Nacional. Foi ali que surgiram os primeiros debates técnicos sobre convergência às normas internacionais, adoção do regime de competência e necessidade de uma contabilidade patrimonial robusta. Os técnicos do Tesouro, ao analisarem as IPSAS, perceberam o abismo entre o Brasil e o resto do mundo. Enquanto os países avançavam para modelos completos de reconhecimento de ativos, passivos, custos e riscos, o Brasil permanecia preso a um modelo dos anos 1960 baseado apenas na execução orçamentária. O Tesouro então inicia um movimento estratégico e silencioso. Os primeiros estudos são produzidos. Os primeiros grupos de trabalho são formados. Os primeiros seminários e encontros técnicos são organizados. Universidades começam a ser envolvidas. Pesquisadores começam a se concentrar no tema. Tribunais de contas passam a dialogar com o setor técnico. De forma gradual, e muitas vezes discreta, nasce uma nova mentalidade dentro da máquina federal: a mentalidade de que o Estado brasileiro precisa ser transparente não apenas nos gastos, mas na sua realidade econômica. O patrimônio volta a ser assunto. E voltar a falar de patrimônio, no Brasil, é um ato de ruptura cultural.