A Revolução Da Depreciação: O Momento Que Ninguém Esperava
Se há um momento simbólico na reconstrução moderna, é o momento em que o setor público brasileiro é obrigado a calcular depreciação. Essa exigência, que a princípio parece técnica e despretensiosa, é na verdade um ato...
Parte IV - A Reconstrução Moderna da Contabilidade Pública
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Se há um momento simbólico na reconstrução moderna, é o momento em que o setor público brasileiro é obrigado a calcular depreciação. Essa exigência, que a princípio parece técnica e despretensiosa, é na verdade um ato civilizatório. Ela rompe com décadas de negação patrimonial. Ela força o Estado a reconhecer que seus bens env elhecem, deterioram, perdem valor e precisam ser repostos. Depreciar é dizer a verdade. É admitir que: veículos não duram para sempre; escolas precisam de manutenção constante; prédios se degradam; máquinas quebram; equipamentos não são eternos; mobiliário envelhece; infraestruturas perdem eficiência. É um choque cultural. Muitos gestores rejeitam. Muitos contadores estranham. Muitos tribunais resistem. Mas, aos poucos, a depreciação entra no vocabulário da administração pública. E quando entra, ela muda tudo: revela perdas patrimoniais; expõe negligência histórica; mostra a necessidade de modernizar a estrutura física; evidencia a precariedade de muitos órgãos públicos; cria incentivos para manutenção; exige políticas de reposição. Depreciar é assumir a res ponsabilidade pelo futuro. É aceitar que o patrimônio precisa ser cuidado — e não apenas adquirido.