A Contabilidade Pública que o Brasil Perdeu e o Estado que Precisa Nascer
Parte III • página 56
Sumário
Capítulo 18

O Gestor Em Colapso: O Fim Da Era Do Improviso

O gestor público da década de 2000 se viu diante de uma situação inédita. Pela primeira vez, ele precisava tomar decisões que exigiam dados que simplesmente não existiam. Um prefeito que assumia a gestão em 2008 podia...

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Parte III - A Crise e a Necessidade de Reconstrução

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O gestor público da década de 2000 se viu diante de uma situação inédita. Pela primeira vez, ele precisava tomar decisões que exigiam dados que simplesmente não existiam. Um prefeito que assumia a gestão em 2008 podia até fazer um discurso otimista na posse, mas bastava atravessar o primeiro trimestre para descobrir: que não havia informações confiáveis sobre a frota; que os imóveis públicos tinham documentação incompleta; que escolas estavam deterioradas sem laudos; que havia passivos trabalhistas ocultos; que obras inacabadas se acumulavam como passivos políticos; que não existia qualquer controle de custos; que os sistemas contábeis eram rudimentares; que o orçamento não revelava a verdadeira situação do município. E, como se não bastasse, a sociedade agora exigia mais: exigia prestação de contas real, e não formal; exigia eficiência, e não apenas execução; exigia transparência, e não apenas relatórios ritualísticos; exigia resultados, e não despesa empenhada. O gestor se vê encurralado entre duas eras: a era velha, que ainda dominava a máquina pública; e a era nova, que batia à porta com força. É nesse momento histórico que surge a compreensão — ainda tímida, mas crescente — de que a contabilidade pública brasileira precisava ser reconstruída. Essa reconstrução, porém, não seria apenas uma mudança de leis ou de sistemas. Ela exigiria uma

transformação cultural profu nda. Exigiria romper com práticas de décadas. Exigiria enfrentar resistências históricas. Exigiria mudar a forma de pensar, planejar e executar. E foi exatamente essa necessidade que deu nascimento ao movimento que mudaria tudo: a Nova Contabilidade Pública.