A Contabilidade Pública que o Brasil Perdeu e o Estado que Precisa Nascer
Parte V • página 79
Sumário
Capítulo 39

O Estado Em Transformação: As Práticas Que Marcam O Século Xxi

Entramos agora no território do presente. Após décadas de improviso, colapso, reconstrução normativa e revolução tecnológica, o Estado brasileiro vive hoje um cenário paradoxal: é simultaneamente moderno e atrasado....

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Parte V - Práticas Contemporâneas e Tensões Atuais

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Entramos agora no território do presente. Após décadas de improviso, colapso, reconstrução normativa e revolução tecnológica, o Estado brasileiro vive hoje um cenário paradoxal: é simultaneamente moderno e atrasado. Possui as ferramentas, mas nem sempre a cultura. Tem as normas, mas ainda não consolidou as práticas. Sabe o que precisa fazer, mas nem sempre encontra ambiente político ou organizacional para fazê-lo. Para entender as práticas c ontemporâneas, imagine uma prefeitura em 2024. Ela possui: um sistema SIAFIC implantado; um módulo de patrimônio considerado robusto; integração com almoxarifado e contratos; portal da transparência atualizado; notas fiscais eletrônicas; contabilidade informatizada; acesso ao MCASP e às NBCTSP; auditoria eletrônica pelo Tribunal de Contas; relatórios automáticos de depreciação. No entanto, quando o gestor precisa tomar decisões cruciais, ele descobre que: o almoxarifado não é usado corretamente; muitos bens ainda não têm plaqueta; obras são registradas de forma incompleta; a integração entre planejamento e orçamento é falha; a frota é subutilizada ou superutilizada; o inventário ainda depende de força -tarefa; muitos servidores não entendem o regime de competência; gestores recém-nomeados tratam orçamento como fim em si mesmo. Esse cenário híbrido — moderno e pré -moderno ao

mesmo tempo — define as práticas contemporâneas da contabilidade pública brasileira. Um Estado que tenta mudar, mas carrega heranças profundas. Um Estado que avança, mas é puxado para trás pela cultura administrativa. Um Estado que possui instrumentos do século XXI, mas hábitos do século XX. Essa é a moldura em que se inserem os próximos capítulos.